quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

SAMBA convida para a mesa: chegou o 9º PRATODOMUNDO!

A Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências (SAMBA) promove a partir do próximo sábado, 8 de dezembro, o 9º PRATODOMUNDO, Festival Gastronômico do Beco da Lama. O evento acontece de 8 a 15 de dezembro em nove botecos da Cidade Alta. Diferente dos anos anteriores, em 2012 a competição é entre petiscos. O precinho também é camarada. Os bares poderão cobrar, no máximo, 10 reais por cada petisco. Convém também manter a cerveja numa temperatura baixíssima. 


Um júri formado por três especialistas da área de culinária e gastronomia, de idoneidade comprovada e capacitação culinária e gastronômica vai saborear os tira-gostos e julgar os concorrentes. Os vencedores serão conhecidos dia 15 de dezembro. A entrega dos prêmios será realizada num boteco ainda a ser sorteado. O primeiro lugar receberá o R$ 600 + troféu, o segundo levará R$ 400 + troféu e o terceiro receberá R$ 300 + troféu. A SAMBA convidou este ano o artista plástico Jotó para fazer a arte do PRATODOMUNDO que será simbolicamente entregue aos vencedores.


Outra novidade da 9ª edição do evento é a forma de avaliação. O júri não levará em conta apenas o petisco servido. Itens como boas práticas de higiene e organização durante o preparo, criatividade e originalidade, harmonia do sabor e fidelidade entre o prato e a receita escrita também serão analisados. Uma parceria inédita entre a SAMBA e o IFRN Cidade Alta também deve render bons frutos para os bares concorrentes. Uma equipe de seis estudantes fará uma pesquisa junto aos clientes sobre os estabelecimentos. O resultado será entregue ao final do evento aos proprietários dos bares. O objetivo é melhorar ainda mais a relação dos bares com os clientes.


Carnabeco

O festival gastronômico do Beco da Lama ganhará um plus na largada. O evento acontecerá no mesmo dia do Carnabeco, o já tradicional grito de carnaval e resistência ao Carnatal. A banda de frevo será comandada pelo maestro Duarte. A concentração acontecerá a partir das 17h no bar do Zé Reeira e percorrerá os nove botequins do PRATODOMUNDO. O Carnabeco deve atrair uma multidão pelas ruas do Centro Histórico. A promessa é de muita festa!


O 9º PRATODOMUNDO é uma promoção da SAMBA e tem o apoio do SEBRAE, do IFRN Cidade Alta e da Offset Gráfica.


Confira os bares participantes:

Bar do Pedrinho (rua Vigário Bartolomeu, ao lado do camelódromo)
Bar Inverno & Verão (rua Vigário Bartolomeu, no camelódromo)
Bar do Negão Garantido (rua Dr. José Ivo)
Bar Encontro dos Boêmios (rua. Dr. José Ivo)
Bar da Meladinha (rua Dr. José Ivo)
Bar da Nazaré (rua. coronel Cascudo)
Bar Bardallo´s Comida e Arte (rua Gonçalves Ledo)
Bar do Sapato (rua Heitor Carrilho, próx. Igreja do Galo)
Bar do Zé Reeira (rua prof. Zuza, ao lado do IFRN Cidade Alta)

Dia Nacional do Samba lava a alma no bar do Zé Reeira



Histórico. Eis a melhor definição para a grande roda de samba promovida pela SAMBA no bar do Zé Reeira dia 2 de dezembro. A data era mais que sugestiva: Dia Nacional do Samba. Foi a primeira vez que a SAMBA organizou uma festa nesse dia quase santo. E superou qualquer expectativa. A rapaziada foi chegando na hora marcada, por volta das 15h, e lotou a rua professor Zuza. Mais de 400 pessoas passaram por lá.


Frequentadores antigos e novos presitigiaram a festa


Os músicos deram um verdadeiro show. Não tinha um grupo tocando. Haviam vários. Gente de toda linhagem, turma de todos os sambas. Abimael Silva, editor do Sebo Vermelho, ofereceu 62 acarajés ao público. O mafuá comeu no centro até às 21h30. Quase entramos madrugada adentro! Tudo pelo samba num domingo de sol, de lua e muita alegria.

Galera cantou até às 21h30 no bar do Zé Reeira
A diretoria da SAMBA agradece a TODOS os músicos que atenderam à convocação, ao Sindsaúde que compareceu com parte do cachê da rapaziada, ao público que prestigiou o evento e firmou na palma da mão até o samba pedir arrêgo, a Abimael Silva pela gentileza dos acarajés e ao grande Zé Reeira, patrimônio do Centro Histórico que sabe como poucos receber e atender bem a clientela do botequim.
Dia Nacional do Samba foi em clima de confraternização


Público prestigiou o Dia Nacional do Samba desde cedo

Músicos de vários grupos se apresentaram
   

Público feminino compareceu em peso à festa


Fotos: Alex Gurgel e Christian Vasconcelos, ambos diretores da SAMBA

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

IFRN Comemora três anos de atividades na Cidade Alta

AG Sued
Campus comemora semana de aniversário com programação cultural gratuita

No próximo domingo, dia 23 de setembro, o IFRN Cidade Alta completa três anos em atividade desde sua reinauguração. O prédio aonde o campus é instalado, existe desde 1913, funcionando primeiramente como uma unidade das instituições de ensino profissional do estado. Passou por diversas reformas entre as décadas de 20 e 30, em que mais tarde o espaço seria sede do Hospital da Caridade e da TVU-RN, junto a Comperve e Centro Regional Universitário de Treinamento e Ação.

Já nos anos 2000, motivada pela iminência do centenário do então CEFET-RN e pelo estado de abandono em que se encontrava o prédio, a direção da instituição, com o apoio da comunidade acadêmica e de ex-alunos da antiga Escola Industrial, reivindicou a reintegração de posse do edifício, a qual foi aprovada pelo Conselho Superior da UFRN em novembro de 2007.

Devidamente restaurado e reinaugurado em 23 de setembro de 2009, mesma data do centenário do Instituto, o IFRN Cidade Alta completa 3 anos de aulas, atividades e projetos culturais, aliando a arte ao ensino acadêmico e cultural entre professores, alunos e comunidade e consolidando sua identidade como um espaço que respira e exala cultura o ano inteiro.

PROGRAMAÇÃO DE ANIVERSÁRIO DO IFRN CIDADE ALTA

SEGUNDA | 24
8h – EXPOSIÇÕES
Galeria de Arte: Exposição Traços e Cores de Newton Avelino
Museu do Brinquedo Popular
Memorial do Ensino Técnico e Profissional

PÁTIO
15h – Instalação “Primavera no Jardim das Delícias” e performance de Guaraci Gabriel
17h às 18h30 – Ricardo Buiu e Grupo de Perna de Pau
17h30 – Descerramento da placa alusiva a restauração do prédio
17h30 às 17h50 – Grupo de Viola do IFRN – Marcelo Othon
18h às 18h15 – Grupo de capoeira do PELC
18h15 às 19h – Banda H2A
19h às 20h no calçadão – Grupo Folia de Rua

AUDITÓRIO
19h – Exposição de Rabeca no hall do auditório - Conexão Felipe Camarão
19h – Lançamento do Vídeo sobre Senhor Nozinho da Rabeca - Sítio Novo (RN)
Professores Marcus Vinicius e Arlindo Ricarte
19h – Fala do Diretor Lerson Fernando dos Santos Maia
19h20 – Vídeo sobre os três anos do Câmpus Cidade Alta - Josiene Santos
19h20 – Grupo de Dança do Ventre do PELC
19h30 – Orquestrin da Conexão Felipe Camarão
19h50 – Casa do Cordel
20h15 às 21h – Mayara e Lucyana Kelly e percussão
21h – Esso Alencar

QUINTA | 27
17h às 19h – Roda de conversa e prosa sobre causos da Escola de Aprendizes e Artífices

SÁBADO | 29
10h às 22h – Última etapa da Intervenção Artes Visuais do Beco da Cultura

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Exposição Fotográfica no Solar Bela Vista

clique no cartaz para ampliar

Jovem arquiteto Dijah Jr faz sua primeira exposição fotográfica destacando os antigos prédios de Natal

Resgatar os traços do passado com uma visão contemporânea é o que propõe o fotógrafo Dijah Abreu Junior com a exposição fotográfica “Luz em Natal de Ontem”, que acontecerá no Solar Bela Vista até o final de outubro. O lançamento da exposição será nessa sexta-feira, dia 21 de setembro, com um coquetel a partir das 18h30.

Segundo Dijah Junior, o interesse pela fotografia foi despertado ainda na faculdade de Arquitetura, quando ele fazia maquetes eletrônicas e viu a necessidade de melhorar sua técnica em composição e iluminação. “E quanto mais eu produzia fotos, mais eu me sentia gratificado e me senti impelido a pesquisar mais sobre fotografia”, disse.

A exposição fotográfica “Luz em Natal de Ontem” deveria ter sido apresentada durante as comemorações pelo Dia Mundial da Fotografia, em agosto passado, em paralelo ao evento Foto Riografia do Norte, realizado pela Associação Potiguar de Fotografia – Aphoto. Porém, um problema de saúde impediu ao fotógrafo/arquiteto de expor suas fotos naquela ocasião.

Como arquiteto, Dijah Abreu Junior explora o estilo de época, buscando focar os detalhes de antigas edificações. Como fotógrafo, ele busca dá destaque às linhas diagonais presente nas formas arquitetônicas das fachadas dos prédios como o próprio Solar Bela Vista, além de outros exemplares arquitetônicos antigos da Ribeira e Cidade Alta.

SERVIÇO
“Luz em Natal de Ontem”
Exposição Fotográfica de Dijah Abreu Junior
Coquetel de Abertura
Dia | 21 de set (sexta-feira)
Hora | 18h30
Local | Solar Bela Vista

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Arte Visual no Beco da Cultura

Foto: Camyla Matias
2ª etapa do evento acontecerá sábado, dia 15 de setembro, com a participação de artistas visuais da cidade, Bazar Cultural e atrações musicais

A proposta é aproveitar espaços públicos para livre criação artística, incluindo os protagonistas da cena local, valorizando e divulgando diretamente nesses espaços cedidos as suas obras. Com esse intuito, alunos de Produção Cultural do IFRN realizam no dia 15 de setembro, das 10h às 22h, a Intervenção Arte Visual vai ocupar pela segunda vez o Beco da Cultura Ruy Pereira, na rua Professor Zuza, ao lado do IFRN da Cidade Alta.

A intervenção contará com a participação de artistas dos mais variados estilos, para preencher o painel localizado na lateral do Instituto. Dentre os estilos apresentados, podemos destacar o grafite, a aerografia, o estêncil, o pincel com látex, o óleo sobre parede, a acrílica, a aquarela, a cera e demais. Foram convidados os artistas Assis Marinho, Fábio Eduardo, Tiago Vicente, Pedro Ivo (Estêncil), Marcelo Borges (Aerografia), Carcará (Grafite), Marcelus Bob (Humanoides), Marcelo Fernandes (Giz de Cera), Ivo Maia (Mandalas), entre outros.

A ação terá duração de três sábados consecutivos no mês de setembro, uma que já aconteceu no dia 1º e outras nos dias 15 e 29. Em paralelo ao preenchimento do painel, acontece também a Feira do Cordel, Bazar Cultural, sarau poético. As atrações musicais ficam por conta do grupo Conexão Mil Graus, Quadrilha da Rima, Carcará na Viagem, Faces Negras, Bob Marlon e Dona Kayana.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Khrystal em dois tempos



Foto: Giovanna Hackradt

A cantora e compositora Khrystal lança amanhã, no feriado da independência, o segundo trabalho autoral da carreira. O show acontece a partir das 21h, no Teatro Alberto Maranhão. Dois Tempos é o nome do disco, um primor de qualidade e sem rótulo. Krhystal compõe e canta com a alma. A apresentação terá participações de Eduardo Taufic e de Cicinho do Repique, sambista bamba das Rocas. A entrada é uma lata de leite em pó que será revertida para o Hospital Infantil Varela Santiago.Na edição de hoje a Tribuna do Norte publicou reportagem assinada pelo repórter Tadzio França sobre a carreira de Khrystal. Confira:

UMA CANTORA DE OPINIÃO

O tempo da maturidade artística chegou para Khrystal. Como em todo processo de amadurecimento, primeiro é preciso marcar território, dizer a que veio e provar algo. A cantora natalense considera que já atravessou essa fase com o elogiado "Coisa de preto", de 2007, e está pronta para iniciar nova temporada de vida e de arte com "Dois tempos", o segundo disco cujo show de lançamento será nesta sexta-feira, às 21h, no Teatro Alberto Maranhão. A apresentação terá participações de Eduardo Taufic e de Cicinho do Repique, sambista bamba das Rocas. A entrada é uma lata de leite em pó que será revertida para o Hospital Infantil Varela Santiago.


O trabalho como compositora é, segundo Khrystal, o "detalhe" que mais diferencia "Dois tempos" do disco anterior. Das treze canções do álbum, dez levam a assinatura da cantora. "Representou muito pra mim abrir meu lado de compositora. No outro disco, ficava me comparando com os outros compositores e me inibia. Mas consegui resolver essa insegurança, até mesmo pelo tempo que levamos para fazer o disco, ao longo de quatro anos", reflete. "Dois tempos" também avança pela temática. "O outro disco fincava o pé no regionalismo, enquanto o novo é sobre o cotidiano, as coisas do dia a dia. É um disco planetário", considera.

O novo disco, além de firmar Khrystal como compositora, também pretende desfazer alguns rótulos atribuídos a ela. "As pessoas me chamavam de coquista e eu ficava com raiva, apesar de saber que não era por mal", diz ela, se referindo ao repertório de "Coisa de preto", bastante focado nos cocos. "O coco foi um elemento que usei para me diferenciar das outras cantoras de MPB, e também para evidenciar o único ritmo legitimamente potiguar. Mas nunca tive a pretensão de ser uma coquista. O 'Coisa de preto' tinha aquela coisa de afirmar a nordestinidade, algo que já fiz, mas não quis repetir no novo trabalho", explica.

MUSICALIDADE REFINADA

A leveza é uma característica que Khrystal quis ressaltar no novo disco. "O 'Dois tempos' é musicalmente mais refinado. O anterior tinha algo mais pesado, uma atitude quase rock 'n roll, porque eu sempre tive um sentimento de revolta que gostava de expressar. Mas agora estou mais confortável, leve, de mente aberta, e o disco reflete isso", explica. Esse processo também incluiu a convivência maior com outros artistas e novos ambientes. "Graças ao Luiz Gadelha e a Simona Talma, por exemplo, passei a ouvir muita gente diferente, que eu nem sabia que existia, e isso foi me influenciando", diz.

"Dois tempos", que foi produzido por Khrystal e Ricardo Baya, circula musicalmente entre o samba e o forró. A cantora afirma que isso aponta para outras áreas de sua bagagem musical. "O samba está na minha vida desde criança. Meu pai, que era um boêmio nato, ateu, era vidrado em música, especialmente samba. Já a minha mãe, religiosa, ouvia mais a MPB convencional. No começo da carreia eu cantava 'chiando', como as moças de fora. Até que deixei disso e o Nordeste entrou de vez na minha música. Pra mim, isso foi uma catarse", afirma. Khrystal também assumiu a paixão pelas cantoras americanas - que ela costumava criticar em seus shows.

"Eu tinha uma revolta infantil contra a música estrangeira, costumava fazer discurso revoltadinho no palco, mas também parei com isso", afirma. Khrystal conta que gravou "Dois tempos" sob a influência de divas do jazz como Ella Fitzgerald, Billie Holiday e Nina Simone, ao lado de cantoras que trabalham bem melodias ao violão, como Adriana Calcanhoto, Nara Leão, Célia Vaz, Valéria Oliveira, e sua eterna musa Elis Regina. Ela considera que o novo disco é musicalmente mais refinado. "Boa parte disso devo também aos pianos do Eduardo Taufic, que deu esse tom classudo ao repertório", ressalta. 

SOBRE PRECONCEITOS E ESTRELISMO

A liberdade que "Dois tempos" deu a Khrystal permitiu que ela abordasse variados assuntos de seu cotidiano. O primeiro foi o preconceito dividido geograficamente, visto em "Zona norte, zona sul", a primeira música de trabalho, e que já rendeu um vídeo. "Nasci e me criei na zona norte, todo mundo sabe que há preconceito. Fiz essa música com o Ricardo Baya, que também tem essa coisa do gueto, como eu. Foi nossa forma de dar um tapinha na cara dos hipócritas", comenta. Outra que ela cita é "Bem ou mal", parceria com Luiz Gadelha, uma canção sobre aceitar as coisas como elas são. "Quando você se aceita, tudo é possível. Pra mim, a liberdade é cantar um blues, um forró, um rock , o que eu quiser", explica.

A canção "Dois tempos" foi a última a entrar no disco, segundo Khrystal, e é a mais emblemática na intenção que ela tem de "desglamourizar" a profissão de cantora. "O Brasil é louco por seus artistas, e acontece de algumas vezes colocar as cantoras num pedestal. Sempre detestei essa imagem de diva intocável, de cantoras que se acham seres divinos. Por isso o disco fala tanto sobre as durezas do meio artístico, que na verdade não tem esse glamour todo que o povo acha. Não tenho tempo pra ser estrela, como diz a música", conclui.

Serviço: Lançamento de "Dois tempos", de Khrystal. Sexta-feira, às 21h, no TAM. A entrada pode ser trocada por uma lata de leite em pó, na bilheteria do teatro. 

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Identidade ameaçada


 
 
Por Nadjara Martins, repórter do Novo Jornal  
Foto: Jaeci (praça Augusto Severo)
 
A mudança no logradouro de ruas e praças, principalmente os que possuem nomes de personalidades históricas, como acontece em Natal, deveria passar pelo crivo legal. No entanto, esses critérios não tem sido respeitados. Apesar da mudança não ter acontecido oficialmente, a praça Augusto Severo, na Ribeira, está caindo no gosto popular como "Largo do TAM". A nova denominação, inclusive, já entrou em convites e cartas oficiais enviadas pelo Governo do Estado. A modificação - afirmam especialistas ouvidos pelo NOVO JORNAL - apesar de ser mais fácil para reconhecimento da popular, pode prejudicar o movimento pela valorização do patrimônio histórico de Natal.

A modificação de um logradouro público, como praças, prédios e vias da cidade, deve passar por um crivo legal. As propostas precisam ser aprovadas por um quórum popular de, no mínimo, 51 pessoas, para que possam ser debatidas na Câmara Municipal. Em determinadas cidades, como São Paulo e Belo Horizonte, as modificações são mais formais, e ficam a cargo exclusivo da câmara: a proposta é apresentada por um parlamentar, analisada e votada em plenário. No entanto, em Natal, qualquer potiguar pode sugerir e eleger um nome para determinada via da cidade - basta realizar um abaixo-assinado que, contando com apoio popular, poderá ser implantado.

Essa modificação constante na nomenclatura de prédios e vias públicas pode comprometer a conservação do patrimônio histórico. O alerta é do presidente administrativo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, Jurandyr Navarro. "Praças e prédios antigos são uma forma de preservar um nome histórico e importante para o Estado", explica.

A maioria dos logradouros, em Natal, são homenagens a personagens conhecidos da história da capital: André de Albuquerque, Pedro Velho e Augusto Maranhão são alguns exemplos que personas que nomeiam praças e vias públicas. Entretanto, a falta de incentivos para manutenção do patrimônio histórico da cidade e, muitas vezes, pressões políticas podem comprometer a conservação de tais nomes.

"Não existe uma vontade de manter a história da cidade. Muitas vezes a prefeitura troca o nome para homenagear o marido ou a esposa de determinado político. Tem gente que aproveita de seus cargos", afirma o historiador Wandyr Villar. Segundo ele, determinados secretários da prefeitura já utilizaram de influência política para renomear vias públicas "sem que as pessoas tenham realmente alguma importância para a história da cidade".

A lei número 05089, de 1999, define que não podem ser utilizados como logradouros públicos "nomes de pessoas físicas vivas" ou "por mera lembrança ou homenagem pessoal". O que nem sempre é respeitado. É o caso das rua Vilma de Farias, no Pajuçara, zona norte da cidade, nomeada em homenagem à ex-governadora do estado - que ainda está viva, por acaso.

Porém, casos de mudanças de logradouros públicos devido à questões políticas não são novidade. Um dos casos mais reconhecidos é o da antiga praça Pedro Velho, em Petrópolis, que durante a ditadura militar passou a ser chamada de Praça Cívica. Na década de 1970, a praça ficou conhecida por ser o centro das comemorações militares, e desde então tem sido utilizada como palco para as festividades do dia da independência.

Para o historiador Waldyr Villar, é preciso que o município e o estado se conscientizem da importância de manter o nome original das vias públicas. "Às vezes a mudança começa da própria população, mas é necessário manter o nome original e resguardar a importância dos nomes que já fizeram a nossa história", ressaltou.

RENOMEAR PROVOCA PERDA NA IDENTIDADE HISTÓRICA.

Algumas ruas de Natal são nomeadas sem que sequer o personagem pertença a cidade. É o caso da rua Quintino Bocaiuva, na Ribeira. Quintino foi um escritor, jornalista e político carioca, que nunca passou por Natal. Ainda assim, ele renomeou uma das ruas mais antigas e conhecidas da capital: a antiga Rua Pedra do Rosário, onde se localiza um dos maiores símbolos da nossa cultural: a Pedra do Rosário.

São esses contrastes que impossibilitam a criação de uma identidade histórica no natalense. A assertiva e o exemplo citados são da arquiteta e historiadora Jeanne Nesi. Superintendente regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/RN), ela explica que "o natalense não tem auto estima" quanto a preservação da própria história, e que o Governo, ao popularizar a renomeação de patrimônios históricos, promove a "desvalorização da identidade histórica e cultural".

"O próprio Governo do Estado, que tombou a Praça Augusto Severo como patrimônio histórico, insiste em chamar a área de Largo do TAM. Ficar renomeando as ruas e praças, além de ser um transtorno quanto a localização de quem mora na área, também impede que o potiguar crie uma identidade com a história da sua cidade. Diferentemente do que pensam, logradouros também são patrimônio", critica.

A superintendente se mostra indignada com a possibilidade de modificação do nome, pois isso mostra uma "falta de respeito" com o momento histórico que nomeou determinado patrimônio. No caso da Praça Augusto Severo - dedicado à um dos maiores aviadores do país e importante nome da história potiguar - ela acredita que "renomear ou popularizar outros nomes faz com que as pessoas se esqueçam de quem foram aqueles personagens, assim como a sua história".

Outro exemplo citado pela superintendente é a Avenida Junqueira Ayres, que recentemente foi dividida e teve uma das suas metades nomeadas como Avenida Câmara Cascudo. "Não digo que Cascudo foi menos importante, mas a quantidade de pessoas que nomeiam ruas e não tem nenhuma relação com a história do estado é enorme. É preciso entender que essa é uma total desvalorização da cultura potiguar, principalmente com o Centro Histórico de Natal, um dos patrimônios históricos mais conhecidos do país", critica. E acrescenta. "A falta de interesse em manter o nome das praças vai descaracterizando a história da cidade. Daqui a alguns anos ninguém vai saber quem é Augusto Severo".

MUDANÇAS SÃO FORMA DE ADAPTAÇÃO

A Fundação José Augusto (FJA), que já tem utilizado a denominação "Largo do TAM" no convites e panfletos oficiais do evento Agosto da Alegria, explica que as modificações não são oficiais. Segundo informações da assessoria de imprensa da instituição, a modificação é uma questão de facilitar a comunicação com a população.

"Nós não mudamos o nome da fundação. Foi mais uma questão de adaptar nossa comunicação com o que a população costuma reconhecer", explicou a assessoria da fundação. Segundo a FJA, foi o mesmo caso que aconteceu com o Palácio Potengi, hoje renomeado como Palácio Potengi da Cultura do Estado. No caso do palácio, por exemplo, a modificação foi para atender a uma mudança na função do prédio. Em 2003, por decreto da então governadora Vilma de Farias, o prédio passou a abrigar a Pinacoteca do Estado, e foi assim renomeado. Mas no imaginário popular, o prédio é reconhecido como Palácio Potengi, Pinacoteca do Estado ou Palácio da Cultura.

De acordo com a Semurb, no entanto, as modificações são algo monitorado. Segundo o diretor do Departamento de Gestão do Sistema de Informação Geográfica, Reginaldo Vasconcelos, a modificação da Praça Augusto Severo para Largo do TAM foi algo que aconteceu naturalmente, devido à adaptações populares, mas que não será formalizada.

"Passou a ser conhecido como Largo depois da reestruturação do terminal rodoviário. Após a reforma, largo e praça se confundiram, e passaram a ser conhecidos com esse nome devido aos eventos que acontecem lá", explicou.

Segundo Vasconcelos, a renomeação de ruas é algo que passa por uma avaliação sistemática da câmara e da secretaria, mas que a intensa expansão da cidade, de forma desordenada, não permite que a Semurb mantenha controle sobre a nomeação de ruas. "Às vezes nós nem sabemos que aquela rua foi criada", comenta. É o que se chama de "nomeação informal", quando os próprios moradores definem o nome das vias.

No entanto, o subsecretário de planejamento da Semurb, Carlos da Hora, aponta que a secretaria está com um projeto para reestruturar e renomear ruas que não tenham relação com a história da cidade. O programa "Cidade da Gente", iniciado em 2009, está com 50% das ruas de Natal emplacadas e renomeadas. "Estamos reestruturando as ruas. A previsão é que em 2013 já estejamos com tudo pronto", garantiu.

Carlos também explicou que a Semurb tem um projeto para manter a preservação histórica de logradouros e praças. "O nosso circuito hitórico já faz isso. As toponímias [nomes de lugares e suas modificações]devem ser preservadas, assim como os os eventos que aconteceram por lá. É nossa função preservar o patrimônio histórico", garantiu.


HISTÓRIAS QUE MUDARAM

1. Palácio Potengi

Em 1865, o Presidente OIinto José Meira, decidiu pela reconstrução do prédio da Fazenda Pública, que abrigaria a Assembléia e Câmara Municipal. O Superior Tribunal de Justiça funcionou ali a partir de 1892. Já em 1902, Alberto Maranhão transfere para este edifício a sede do governo estadual, renomeando-o Palácio do Governo. Em 1954, o então governador Sylvio Pedroza o denominou de Palácio Potengi, permanecendo assim até 1961, quando o governador Aluísio Alves o renomeou como Palácio da Esperança. Com o governo de Cortez Pereira voltou a ser Potengi. Tornou-se Palácio da Cultura em 1999, quando o governador Garibaldi Filho transferiu a sede do governo para o Centro Administrativo. Em 2003, a então governadora Vilma de Farias o renomeou como Palácio Potengi da Cultura mantendo ali o funcionamento da Pinacoteca do Estado.

2. Praça Pedro Velho

A Praça Pedro Velho, em Petrópolis, foi assim nomeada em homenagem ao primeiro governador do estado, Pedro Velho de Albuquerque Maranhão. Abriga hoje um busto em homenagem ao governador, mas ouco se sabe sobre a história da praça. Os primeiros registros datam de 1924, sendo inaugurada oficialmente em 1937, pelo governador Gentil Ferreira. Permaneceu com esse nome até a década de 1970. Durante a ditadura militar, os soldados utilizavam a praça para festejos da semana da pátria.

3. Praça Augusto Severo

A praça Augusto Severo, é um dos mais importantes logradouros públicos da zona de preservação da cidade, visto encontrar-se encravado entre os históricos e imponentes prédios do Teatro Alberto Maranhão, antigo prédio do Grupo Escolar Augusto Severo, antigo prédio da Escola Doméstica e o Palacete do Cel. Juvino Barreto (atualmente Colégio Salesiano). Já abrigou os mais luxuosos hotéis de Natal como o Internacional, Hotel do Leões e o Avenida. Foi denominada Augusto Severo de Albuquerque Maranhão em 1913, por ocasião do 11° aniversário da morte do pioneiro da nossa aviação. Com a reforma do terminal rodoviário entre 2006 e 2008, a área se expandiu e passou a se confundir com o Largo Dom Bosco. Por ocasião dos festejos culturais que ali ocorrem, passou a ser chamada popularmente de Largo do TAM.